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Archive for agosto \23\UTC 2016

Uma amiga, lendo um artigo em inglês sobre abusos, perguntou-me o que é GASLIGHTING. Em princípio, eu respondi que ele está explicado no meu livro GENTE ASPERGER. Depois, pensei em publicar aqui este trecho do livro, para ajudar a esclarecer um tipo de abuso que ocorre muito com aspergers, e também com qualquer pessoa mais tímida, mais delicada ou vulnerável, e causa grandes prejuízos emocionais.
Conheço bem este tipo de manobra porque já fui muitas vezes vítima dela, porém é tão comum que as pessoas nem percebem. Quando você sabe o que é, então, pode ficar mais alerta. Cuide de si. A vida é uma luta!, como dizia a minha assistente doméstica Clarice. E saber de abusos nunca é demais.
Leia, pense, imagine e aprenda para sempre. O trecho de GENTE ASPERGER, portanto, segue abaixo:

Indução à desorientação (gaslighting)
Gaslighting é uma forma de abuso emocional não muito conhecida entre nós enquanto teoria, mas muito praticada. Como não há correspondente – creio – em português, resolvi chamar a essa prática de abuso, muito comum, por sinal, de indução à desorientação.
No original, gaslighting traz a ideia de “aumentar ou diminuir a luz de um lampião”.
É a habilidade intencional de alterar a percepção de uma pessoa usando o chiaro-oscuro, luz e sombra, como um cenografista ilumina ou escurece um cenário, criando uma ilusão. O abusador deseja realçar ou ocultar pontos que levam a vítima a ficar desorientada, ficar em dúvida sobre o próprio raciocínio, sua percepção ou sua memória. Por meio de repetidas instruções falsas, e de falsas evidências plantadas na cena, a vítima é levada a crer que se engana, pois ela observa uma coisa e o abusador diz que é outra. Em alguns casos, o abusador monta cenas para fazer a outra pessoa pensar que tem alucinações. Em outros casos, pode evoluir também para a violência física – em geral, violência doméstica – pois são pessoas que convivem de perto.
O alvo (alvo, no início), deve ser convencido de que é louco, incorreto, inadequado, desastrado, incapaz. A intenção é fazer com que a vítima (agora já não mais um alvo) duvide de si mesma e de sua sanidade.
A expressão “gaslighting” vem de uma peça de teatro que deu origem ao filme Gaslight, em 1944, em que o marido tentava convencer a esposa de que ela não está em seu juízo perfeito. Ocorre, por exemplo, quando um manipulador deseja fazer com que alguém de seu convívio seja convencido a aceitar internação, para depois tornar a pessoa declarada incapaz e se apossar de seus bens. Mas este é apenas um exemplo. Outro pode ser o de um patrão que repreende de tal modo um empregado, que este (ou esta) se mantenha sempre tentando corrigir o seu “erro” e, assim, contentá-lo mais e mais. Mulheres – principalmente mulheres aspies – são duas vezes mais vítimas do que homens.
Entretanto, qualquer pessoa abusiva pode tentar induzir alguém a ficar desorientado. Ao invés de envergonhar, isso diverte o abusador – e, como um abuso nunca satisfaz, ele tende a crescer e a se tornar cada vez mais frequente. Desorientando a vítima, o abusador visa algum tipo de lucro: ou interná-la para ficar com os seus bens, ou fazer com que ela se esforce cada mais em servi-lo ou em fazer suas vontades, ou até mesmo, por exemplo.
Aspergers precisam saber que isso é comum (mas não é normal, nem certo) e aprender a reconhecer essa prática para evitar cair em uma relação abusiva, inclusive com amigos. Os raros casos que podem ocorrer sem intenção, o que ainda não deixa de ser um tipo de instrução enganosa, muitas pessoas lhes dizem: Você está vendo coisas. Deixe de paranoias, deixe de exageros.
A própria forma de lançar um spot negativo sobre o asperger, por exemplo, a partir da Teoria da Mente e de outras teorias, vista sob certa ótica, pode ser interpretada como gaslighting, já que dá ao asperger uma imagem muitas vezes falsa de si mesmo.”

Se você aprendeu mais uma forma de entender essa manobra no convívio social, tem muito mais em GENTE ASPERGER.
Nosso livro não está em livrarias e o estoque, limitado, já está pequeno. GENTE ASPERGER é um livro investigativo, fruto de três anos e meio de pesquisa que fiz e de minhas próprias experiências, bem como de casos de pessoas aspergers a quem prestei ajuda ao longo do meu caminho como profissional de psicologia (que por acaso é asperger).
Para ler mais, encomende o livro por e-mail. É simples. Envie um e-mail para VILLA.ASPIE@GMAIL.COM e nós lhe enviamos as instruções de como adquirir.
Um grande abraço da
Ana Parreira
Campinas SP 23 ago 2016

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