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Archive for fevereiro \17\UTC 2017

Hoje é o dia de conscientização da síndrome de Asperger, devido ao médico que publicou suas descobertas em 1944. Um trecho do livro GENTE ASPERGER diz:

“1906 – Nascimento do médico pediatra Hans Asperger (1906–1980) em 18 de fevereiro, em Viena, Áustria, data em que é lembrada a síndrome de Asperger. […]

1932  – Neste ano, Hans Asperger já se ocupava dos meninos com traços de autismo. Desde 1930, ele trabalhava em uma clínica infantil e tinha como seu mentor Irwin Lazar, médico preocupado com crianças traumatizadas pela I Guerra Mundial. Asperger sofreu grande influência de seu mentor e de Franz Hamburger. Eram tempos muito difíceis, em que as bases do nazismo estavam sendo plantadas desde antes de 1930 e o regime nazista se iniciou na Alemanha, oficialmente, em 1933. Sabe-se, com farta literatura a respeito, que Hans Asperger não era nazista, apenas o era o seu superior, Franz Hamburger, o qual, por duas vezes, impediu que Hans fosse levado pela Gestapo em razão de seu trabalho. [segue…]”

  Trechos do livro GENTE ASPERGER (no Histórico), Ana P.

Conscientização significa, entre outras coisas, desfazer alguns enganos:

Primeiro, as pessoas aspergers não “desapareceram”! Continuam referidas na letra F-84.5 do CID-10, manual da OMS – Organização MUNDIAL da Saúde, adotado no Brasil. Nada temos a ver com o DSM, publicado por uma associação de psiquiatras americanos (veja, não e de todos os profissionais, é de psiquiatras; não é mundial, é americana). Além disso, esses manuais são bastante resumidos e não dizem tudo o que uma pessoa apresenta – não lista os inúmeros traços possíveis). O médico, psicólogo ou outro profissional precisa conhecer muito mais que isso e saber identificar tantas características que os manuais não dizem. Um manual é apenas um ponto de referência para alguns critérios ditos comuns (e nem sempre).

Segundo, as pessoas aspergers e outras com diferentes graus no espectro do autismo podem ser identificadas não só por suas limitações mas também por suas qualidades potenciais – semelhantes e diferentes em cada um. Avaliações apenas dos “déficits” e avaliações em uma única consulta são incompletas e podem levar a erros de diagnóstico.

Terceiro, “diagnóstico não é sentença”, pois, por si só, não determina o destino de um asperger ou autista, como “não é um diploma” e “não é um status” (no livro GENTE ASPERGER, onde há a explicação ampliada). O objetivo do diagnóstico é mostrar um caminho para possíveis tratamentos e orientações. Imagine cinco  tipos de pessoas dentro do mesmo espectro, não do autismo (há inúmeros espectros!) mas, por exemplo, na questão motora: uma não mexe o corpo inteiro; outra não mexe os membros inferiores; outra só se locomove com o auxílio de muletas, outras com andador; outras usam uma bengala, ou até não usam nada, mas têm problemas sérios de deambulação e não podem caminhar muito nem subir escadas. Cada uma tem uma necessidade e, para cada uma, o tratamento será relativamente distinto. É para isso que se deve ter um diagnóstico preciso e rico em detalhes: para direcionar a conduta a seguir, conforme o caso.

Quarto, embora a lista não termine aqui, fazer comparações entre graus de autismo, principalmente ressentidas ou maliciosas, é um atraso de vida e não beneficia ninguém. Todos, autistas e aspergers, crianças e adultos, são uma família só dentro do espectro! Aspergers se sentem, sim, em conexão com os demais e identificam-se com eles, mesmo que não se manifestem.

Por fim, se você pertence à “comunidade do autismo”, faça contato e dê apoio aos aspergers, inclusive adultos. Não os exclua de sua lista de interesses e de convivência. Eles podem ensinar muito sobre seus pares (aspergers e autistas, crianças e adolescentes), assim como é bom para eles trocar ideias e aprender com você.
A tão falada inclusão começa “em casa”. O espectro do autismo também é a nossa casa. Hoje, 18 de fevereiro, ajude-nos a estar no mundo.  Juntos, chegaremos mais longe.

Ana Parreira
Autora de “Tango Para os Lobos – Cantos proibidos de uma Aspie” – e de
“Gente Asperger” – ambos somente encontrados por e-mail.
E-mail:  villa.aspie@gmail.com

Escrito a pedido e com permissão especial de publicação para Carol Francisca  no Facebook.

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