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Archive for the ‘ASPERGERS’ Category

Hoje é o dia de conscientização da síndrome de Asperger, devido ao médico que publicou suas descobertas em 1944. Um trecho do livro GENTE ASPERGER diz:

“1906 – Nascimento do médico pediatra Hans Asperger (1906–1980) em 18 de fevereiro, em Viena, Áustria, data em que é lembrada a síndrome de Asperger. […]

1932  – Neste ano, Hans Asperger já se ocupava dos meninos com traços de autismo. Desde 1930, ele trabalhava em uma clínica infantil e tinha como seu mentor Irwin Lazar, médico preocupado com crianças traumatizadas pela I Guerra Mundial. Asperger sofreu grande influência de seu mentor e de Franz Hamburger. Eram tempos muito difíceis, em que as bases do nazismo estavam sendo plantadas desde antes de 1930 e o regime nazista se iniciou na Alemanha, oficialmente, em 1933. Sabe-se, com farta literatura a respeito, que Hans Asperger não era nazista, apenas o era o seu superior, Franz Hamburger, o qual, por duas vezes, impediu que Hans fosse levado pela Gestapo em razão de seu trabalho. [segue…]”

  Trechos do livro GENTE ASPERGER (no Histórico), Ana P.

Conscientização significa, entre outras coisas, desfazer alguns enganos:

Primeiro, as pessoas aspergers não “desapareceram”! Continuam referidas na letra F-84.5 do CID-10, manual da OMS – Organização MUNDIAL da Saúde, adotado no Brasil. Nada temos a ver com o DSM, publicado por uma associação de psiquiatras americanos (veja, não e de todos os profissionais, é de psiquiatras; não é mundial, é americana). Além disso, esses manuais são bastante resumidos e não dizem tudo o que uma pessoa apresenta – não lista os inúmeros traços possíveis). O médico, psicólogo ou outro profissional precisa conhecer muito mais que isso e saber identificar tantas características que os manuais não dizem. Um manual é apenas um ponto de referência para alguns critérios ditos comuns (e nem sempre).

Segundo, as pessoas aspergers e outras com diferentes graus no espectro do autismo podem ser identificadas não só por suas limitações mas também por suas qualidades potenciais – semelhantes e diferentes em cada um. Avaliações apenas dos “déficits” e avaliações em uma única consulta são incompletas e podem levar a erros de diagnóstico.

Terceiro, “diagnóstico não é sentença”, pois, por si só, não determina o destino de um asperger ou autista, como “não é um diploma” e “não é um status” (no livro GENTE ASPERGER, onde há a explicação ampliada). O objetivo do diagnóstico é mostrar um caminho para possíveis tratamentos e orientações. Imagine cinco  tipos de pessoas dentro do mesmo espectro, não do autismo (há inúmeros espectros!) mas, por exemplo, na questão motora: uma não mexe o corpo inteiro; outra não mexe os membros inferiores; outra só se locomove com o auxílio de muletas, outras com andador; outras usam uma bengala, ou até não usam nada, mas têm problemas sérios de deambulação e não podem caminhar muito nem subir escadas. Cada uma tem uma necessidade e, para cada uma, o tratamento será relativamente distinto. É para isso que se deve ter um diagnóstico preciso e rico em detalhes: para direcionar a conduta a seguir, conforme o caso.

Quarto, embora a lista não termine aqui, fazer comparações entre graus de autismo, principalmente ressentidas ou maliciosas, é um atraso de vida e não beneficia ninguém. Todos, autistas e aspergers, crianças e adultos, são uma família só dentro do espectro! Aspergers se sentem, sim, em conexão com os demais e identificam-se com eles, mesmo que não se manifestem.

Por fim, se você pertence à “comunidade do autismo”, faça contato e dê apoio aos aspergers, inclusive adultos. Não os exclua de sua lista de interesses e de convivência. Eles podem ensinar muito sobre seus pares (aspergers e autistas, crianças e adolescentes), assim como é bom para eles trocar ideias e aprender com você.
A tão falada inclusão começa “em casa”. O espectro do autismo também é a nossa casa. Hoje, 18 de fevereiro, ajude-nos a estar no mundo.  Juntos, chegaremos mais longe.

Ana Parreira
Autora de “Tango Para os Lobos – Cantos proibidos de uma Aspie” – e de
“Gente Asperger” – ambos somente encontrados por e-mail.
E-mail:  villa.aspie@gmail.com

Escrito a pedido e com permissão especial de publicação para Carol Francisca  no Facebook.

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Uma amiga, lendo um artigo em inglês sobre abusos, perguntou-me o que é GASLIGHTING. Em princípio, eu respondi que ele está explicado no meu livro GENTE ASPERGER. Depois, pensei em publicar aqui este trecho do livro, para ajudar a esclarecer um tipo de abuso que ocorre muito com aspergers, e também com qualquer pessoa mais tímida, mais delicada ou vulnerável, e causa grandes prejuízos emocionais.
Conheço bem este tipo de manobra porque já fui muitas vezes vítima dela, porém é tão comum que as pessoas nem percebem. Quando você sabe o que é, então, pode ficar mais alerta. Cuide de si. A vida é uma luta!, como dizia a minha assistente doméstica Clarice. E saber de abusos nunca é demais.
Leia, pense, imagine e aprenda para sempre. O trecho de GENTE ASPERGER, portanto, segue abaixo:

Indução à desorientação (gaslighting)
Gaslighting é uma forma de abuso emocional não muito conhecida entre nós enquanto teoria, mas muito praticada. Como não há correspondente – creio – em português, resolvi chamar a essa prática de abuso, muito comum, por sinal, de indução à desorientação.
No original, gaslighting traz a ideia de “aumentar ou diminuir a luz de um lampião”.
É a habilidade intencional de alterar a percepção de uma pessoa usando o chiaro-oscuro, luz e sombra, como um cenografista ilumina ou escurece um cenário, criando uma ilusão. O abusador deseja realçar ou ocultar pontos que levam a vítima a ficar desorientada, ficar em dúvida sobre o próprio raciocínio, sua percepção ou sua memória. Por meio de repetidas instruções falsas, e de falsas evidências plantadas na cena, a vítima é levada a crer que se engana, pois ela observa uma coisa e o abusador diz que é outra. Em alguns casos, o abusador monta cenas para fazer a outra pessoa pensar que tem alucinações. Em outros casos, pode evoluir também para a violência física – em geral, violência doméstica – pois são pessoas que convivem de perto.
O alvo (alvo, no início), deve ser convencido de que é louco, incorreto, inadequado, desastrado, incapaz. A intenção é fazer com que a vítima (agora já não mais um alvo) duvide de si mesma e de sua sanidade.
A expressão “gaslighting” vem de uma peça de teatro que deu origem ao filme Gaslight, em 1944, em que o marido tentava convencer a esposa de que ela não está em seu juízo perfeito. Ocorre, por exemplo, quando um manipulador deseja fazer com que alguém de seu convívio seja convencido a aceitar internação, para depois tornar a pessoa declarada incapaz e se apossar de seus bens. Mas este é apenas um exemplo. Outro pode ser o de um patrão que repreende de tal modo um empregado, que este (ou esta) se mantenha sempre tentando corrigir o seu “erro” e, assim, contentá-lo mais e mais. Mulheres – principalmente mulheres aspies – são duas vezes mais vítimas do que homens.
Entretanto, qualquer pessoa abusiva pode tentar induzir alguém a ficar desorientado. Ao invés de envergonhar, isso diverte o abusador – e, como um abuso nunca satisfaz, ele tende a crescer e a se tornar cada vez mais frequente. Desorientando a vítima, o abusador visa algum tipo de lucro: ou interná-la para ficar com os seus bens, ou fazer com que ela se esforce cada mais em servi-lo ou em fazer suas vontades, ou até mesmo, por exemplo.
Aspergers precisam saber que isso é comum (mas não é normal, nem certo) e aprender a reconhecer essa prática para evitar cair em uma relação abusiva, inclusive com amigos. Os raros casos que podem ocorrer sem intenção, o que ainda não deixa de ser um tipo de instrução enganosa, muitas pessoas lhes dizem: Você está vendo coisas. Deixe de paranoias, deixe de exageros.
A própria forma de lançar um spot negativo sobre o asperger, por exemplo, a partir da Teoria da Mente e de outras teorias, vista sob certa ótica, pode ser interpretada como gaslighting, já que dá ao asperger uma imagem muitas vezes falsa de si mesmo.”

Se você aprendeu mais uma forma de entender essa manobra no convívio social, tem muito mais em GENTE ASPERGER.
Nosso livro não está em livrarias e o estoque, limitado, já está pequeno. GENTE ASPERGER é um livro investigativo, fruto de três anos e meio de pesquisa que fiz e de minhas próprias experiências, bem como de casos de pessoas aspergers a quem prestei ajuda ao longo do meu caminho como profissional de psicologia (que por acaso é asperger).
Para ler mais, encomende o livro por e-mail. É simples. Envie um e-mail para VILLA.ASPIE@GMAIL.COM e nós lhe enviamos as instruções de como adquirir.
Um grande abraço da
Ana Parreira
Campinas SP 23 ago 2016

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